ESCOLA POPULAR REVOLUCIONARIA.
Objetivos gerais.
A educação institucionalizada, especialmente nos últimos 150 anos, serviu –no seu todo- ao propósito de não só fornece os conhecimentos e o pessoal necessário a maquina produtiva em expansão do sistema do capital, como também gerar e transmitir um quadro de valores que legitima os interesses dominantes, como se não pudesse haver nenhuma alternativa à gestão da sociedade, seja na forma “internalizada” (isto é, pelos indivíduos devidamente “educados” e aceitos) ou através de uma dominação estrutural e uma subordinação hierárquica e implacavelmente imposta. A própria historia teve de ser totalmente adulterada, e de fato freqüente e grosseiramente falsificada para esse propósito. Fidel castro, falando sobre a falsificação da historia cubana após a guerra de independência em relação ao colonialismo espanhol, fornece um exemplo impressionante:
“o que nos disseram na escola? O que nos diziam aqueles inescrupulosos livros de historia acerca dos fatos? Diziam-nos que a potencia imperialista não era a potencia imperialista, mais sim que, cheio de generosidade, o governo dos Estados Unidos, ansioso por nos dar a liberdade, interveio naquela guerra e que, como conseqüência disso, éramos livres. Porem, Mao éramos livres em virtude das centenas de milhares de cubanos que morreram durante os trinta anos de combate; não éramos livres pelo gesto de Carlos Manuel Céspedes, o Pai da Pátria, que iniciou aquela luta e que, ademais, preferiu ter seu filho fuzilado a fazer sequer uma concessão; não éramos livres pelo esforço heróico de Máximos Gomes, Calixto García e tampouco por aqueles próceres ilustres; não éramos livres pelo sangue derramado das vintes e tantas feridas de Antonio Maceo e sua queda heróica em Puta Brava; éramos livres simplesmente porque Theodor Roosevelt desembarcou alguns rangers em Santiago de Cuba para combater um exercito esgotado e praticamente vencido, ou porque os encouraçados norte-americanos afundaram as “latas-velhas” de Certeza em frente à baia de Santiago de Cuba. E essas monstruosas mentiras, essas incríveis falsificações eram as que se ensinavam em nossas escolas.”
As deturpações desse tipo são regras quando há riscos realmente elevados, e assim é, particularmente, quando eles são diretamente concernentes à racionalização e à legitimação da ordem social estabelecidas como uma “ordem natural” supostamente inalterável. A historia deve então ser reescrita e propagandeada de uma forma ainda mais distorcida, não só nos órgãos que em larga escala formão a opinião política, desde os jornais de grande tiragem às emissoras de radio e de televisão, mas até nas supostamente objetivas teorias acadêmicas. Marx oferece uma caracterização devastadora de como uma questão vital da historia do capitalismo, conhecida como a acumulação primitiva ou original do capital, é tratada pela ciência da economia política. Num vigoroso capitulo de O Capital, escreve ele:
“essa acumulação desempenha na economia política um papel análogo ao pecado original na teologia. Adão mordeu a maça e, com isso, o pecado sobreveio à humanidade. Explica-se sua origem contando-se como anedota ocorrida no passado. Em tempos muitos remotos, havia, por um lado, uma elite laboriosa, inteligente e sobretudo parcimoniosa,e, por outro, vagabundos dissipando tudo o que tinham e mais nada. A lenda do pecado original teológico conta-nos, contudo, como o homem foi condenado a comer seu pão com suor de seu rosto; a história do pecado original econômico, no entanto, nos revela por que há gente que não tem necessidade disso. Tanto faz. Assim se explica que os primeiros acumularam riquezas, e os últimos, finalmente, nada tinham para vender senão s sua própria pele. E desse pecado original data a pobreza da grande massa que até agora, apesar de todo o seu trabalho, nada possui para vender senão a si mesma, e a riqueza dos poucos, que cresce continuamente, embora há muito tenham parado de trabalhar. Tais trivialidades infantis o Sr. Thiers, por exemplo, serve ainda, com a solene seriedade de um homem de Estado, em defesa da proprieté, aos franceses, outrora são espirituosos [...] Na historia real, como se sabe, a conquista, a subjugação, o assassínio para roubar, em suma, a violência, desempenham o papel principal. Na suave economia política reinou desde sempre o idílio. [...] Na realidade, os métodos da acumulação primitiva são tudo, menos idílicos. [...] os expulsos pela dissolução dos séquitos feudais e pela intermitente e violenta expropriação da base fundiária, esse proletariado livre como os pássaros não podia ser absorvidos pela manufaturas nascentes com a mesma velocidade com que foi posto no mundo. Por outro lado, os que foram bruscamente arrancados de seu modo costumeiros de vida não conseguiram enquadrar-se de maneira igualmente súbita na disciplina da nova condição. Eles se converteram em massa de esmoleiros, assaltantes, vagabundos, em parte por Predisposição e na maioria dos casos por força das circunstâncias. Daí ter surgido em toda a Europa ocidental, no final do século XV e durante todo o século XVI, uma legislação sanguinária contra a vagabundagem. Os ancestrais da atual classe trabalhadora foram imediatamente punidos pela transformação , que lhes foi imposta, em vagabundos paupers. A legislação os tratava como criminosos “voluntários” e supunham que dependia de sua boa vontade seguir trabalhando nas antigas condições que não existiam. [...] Desses pobres fugitivos, dos quais Thomas Morus diz que os coagiam a roubar, “foram executados 72 mil pequenos e grandes ladrões, sob o reinado de Henrique VIII”.
Naturalmente, nem mesmo os altamente respeitáveis pensadores da classe dominante podiam adotar uma atitude que divergisse do modo cruel de subjugar aqueles que deviam ser mantidos sob o mais estrito controle, no interesse da ordem estabelecida. Não até que a própria mudança das condições de produção modificasse a necessidade de uma força de trabalho –grandemente ampliada- sob as condições expansionistas da revolução industrial.
Aqui a questão crucial, sob o domínio do capital, é assegurar que cada individuo adote como suas próprias as metas de reprodução objetivamente possíveis do sistema. Em outras palavras, no sentido verdadeiramente amplo do termo educação, trata-se de uma questão de “internalização” pelos indivíduos da legitimação da posição que lhes foi atribuídas na hierarquia social, juntamente com suas expectativas estipuladas nesses terrenos. Enquanto a internalização conseguir fazer o seu bom trabalho, assegurando os parâmetros reprodutivos gerais do sistema do capital, a brutalidade e a violência podem ser relegadas a um segundo plano (embora de modo nenhum sejam permanentemente abandonadas) posto que são modalidades dispendiosas de imposição de valores, como de fato aconteceu no decurso do desenvolvimento do capitalismo moderno. Apenas em períodos de crise aguda volta a prevalecer o arsenal de brutalidade e violência, com o objetivo de impor valores, como o demonstraram em tempos recentes as tragédias dos muitos milhares de desaparecidos no Chile, Brasil e Argentina.
As instituições formais de educação certamente são uma parte importante do sistema global de internalizaçao. Mas apenas uma parte. Quer os indivíduos participem ou não –por mais ou menos tempo, mas sempre em um numero de anos bastante limitado- das instituições formais de educação, eles devem ser induzidos a uma aceitação ativa (ou mais ou menos resignada) dos princípios reprodutivos orientadores dominantes na própria sociedade, adequados a sua posição na ordem social e de acordo com as tarefas reprodutivas que lhes foram atribuídas. Sob as condições de escravidão ou servidão feudal isto é, naturalmente, um problema bastante diferente daquele que deve vigorar no capitalismo, mesmo que os trabalhadores não sejam (ou sejam muito pouco) educados formalmente. Todavia, ao internalizar as onipresentes pressões externas, eles devem adotar as perspectivas globais da sociedade mercantilista como inquestionáveis limites individuais a suas aspirações pessoais. Apenas a mais consciente das ações coletivas poderá livrá-los dessa grave e paralisante situação.
Uma concepção oposta e efetivamente articulada uma educação que transcenda o capital não pode ser confinada a um limitado números de anos na vida dos indivíduos mas, devido a suas funções radicalmente mudadas, abarca-os a todos. A “auto-educação de iguais” e a “autogestão da ordem social reprodutivas” não podem ser separados uma da outra. A autogestão –pelos “produtores livremente associados”- das funções vitais do processo metabólico social é um empreendimento progressivo – e inevitavelmente em mudança. O mesmo vale para as pratica educacionais que habilitem o individuo a realizar essas funções na medida em que sejam redefinidas por eles próprios, de acordo com requisitos em mudanças dos quais eles são agentes ativos. A educação neste sentido, é verdadeiramente uma educação continuada. Não pode ser “vocacional” (o que em nossa sociedade significa o confinamento das pessoas envolvidas a funções utilitarista estreitamente predeterminadas, privadas de qualquer poder decisórios), tampouco “geral” (que deve ensinar aos indivíduos, de forma paternalista, as “habilidades do pensamento”). Essas noções são arrogantes presunções de uma concepção baseada numa totalmente insustentável separação das dimensões praticas e estratégicas. Portanto, a “educação continuada”, como constituinte necessário dos princípios reguladores de uma sociedade que transcenda o capital, é inseparável da pratica significativa da autogestão. Ela é parte integral desta ultima, como representação no inicio da fase de formação na vida dos indivíduos, e, por outro lado, no sentido de permitir um efeito feedback dos indivíduos educacionalmente enriquecidos, com suas necessidades mudadas corretamente e redefinidas de modo equitativos, para a determinação global dos princípios orientadores e objetivos da sociedade.
A nossa época de crise estrutural do capital é também uma época histórica de transição de uma ordem social existente para outra, qualitativamente diferente. Essas são as duas características fundamentais que definem o espaço histórico e social dentro do qual os grandes desafios para romper a lógica do capital, e ao mesmo tempo também para elaborar planos estratégicos para uma educação que vá alem do capital, devem se juntar. Portanto,a tarefa da escola popular revolucionaria é, simultaneamente, a tarefa de uma transformação social, ampla e emancipadora. Nenhuma das duas pode ser posta à frente da outra. Elas são inseparáveis. A transformação social emancipadora radical requerida é inconcebível sem uma concreta e ativa contribuição da educação no seu sentido amplo. E vice-versa: a educação não pode funcionar suspensa no ar. Ela pode e deve ser articulada adequadamente e redefinida constantemente no seu sentido inter-relacionamento dialético com as condições cambiantes e as necessidades da transformação social emancipadora e progressiva em curso. Ou ambas tem êxito e se sustentam, ou fracassam juntas. Cabem a nós todos –todos, porque sabemos muito bem que “os educadores também tem de ser educados”- mente-las de pé, é não deixá-las cair. As apostas são elevadas demais para ser admita a hipótese de fracasso.
Nestes empreendimentos, as tarefas imediatas e as suas estruturas estratégicas globais não podem ser separadas ou opostas umas às outras. O êxito estratégico é impensável sem a realização das tarefas imediatas. Na verdade, a própria estrutura estratégica é a síntese global de inúmeras tarefas imediatas, sempre renovadas e expandidas, e desafios. Mas a solução destes só é possível se a abordagem do imediato for orientada pela sintetização da estrutura estratégica. Os passos mediadores em direção ao futuro – no sentido da única forma viável de automediaçao- só podem começar no imediato, mas iluminado pelo espaço que ela pode, legitimamente, ocupar dentro da estratégia global orientada pelo futuro que se vislumbra.
Objetivos específicos.
A escola popular não tem como objetivo formar o sujeito para o mercado de trabalho capitalista. Visto que esta educação é um instrumento mecanicista que não leva a formação do individuo como um ser social e político.
Os principais objetivos é desenvolver uma consciência de classes.
Contribuir com um processo revolucionário através de uma nova educação popular que não esteja vinculada aos interesses do capital.
Fazer propaganda da lutas revolucionaria do Brasil e do Mundo, visto que a escola popular é um espaço para discussão, debate e aprendizagem.
Romper com as bases da educação formal.
Metodologia.
Divulgar as atividades através dos meios virtuais.
Expandir as atividades para outros colégios e outros espaços.
Realizar atividades semanalmente.
Fazer jornais semestralmente.
Avaliação.
As avaliações serão feitas conforme as necessidades.
terça-feira, 2 de junho de 2009
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